Entrevista Especial
A rotina de trabalho nem sempre nos permite conhecer nossos colegas de profissão. É por isso que a ABRATO-SC resolveu conversar com cada terapeuta ocupacional associado, para conhecer sua história profissional e área de atuação, ampliando nossa rede de contatos.
Neste mês nossa entrevistada é a Dra. Vera Lehm, que atua na cidade de Joinville, a quem agradecemos pela gentileza em reservar um tempinho na agenda e conversar com a ABRATO-SC. Vamos conferir?
Entrevista
ABRATO-SC - Dra. Vera Lehm, construir uma carreira é uma arte e leva tempo. O que motiva você na Terapia Ocupacional?
Dra. Vera - Em 15 de outubro de 2002, após uma queda de bicicleta, tive uma fratura exposta dos ossos do antebraço direito. A conduta médica foi cirúrgica. No primeiro curativo do pós operatório, não conseguia fazer extensão do punho e dedos, e o diagnóstico clínico foi de neuropraxia do nervo radial. Foram seis meses de muita angústia, aflição e com perda da capacidade funcional da mão dominante. Para completar, não havia um profissional experiente ou especializado na reabilitação da mão na cidade. Nesta época, eu trabalhava em um hospital público e minha profissão era de técnica de enfermagem, instrumentadora cirúrgica em traumato-ortopedia e técnica de imobilização ortopédica. Como se fazia necessário usar uma órtese para manter o punho em leve extensão, usava uma tala gessada. Entretanto, a mesma era desconfortável e pesada para realizar principalmente as atividades básicas e produtivas como: tomar banho, escrever, pentear o cabelo, cortar alimentos e ainda deixava um cheiro desagradável na mão. A partir daí comecei a pesquisar qual o curso de graduação era focado na reabilitação da mão e foi então que descobri a minha paixão pela Terapia Ocupacional na reabilitação dos membros superiores, há 14 anos.
ABRATO-SC - Atualmente, em qual área da Terapia Ocupacional você atua?
Dra. Vera -Atuo desde o ano de 2007 na reabilitação do membro superior e confecção de órteses, contudo, posso afirmar que esta área é um constante desafio. A especificidade dos movimentos da mão requer habilidade do terapeuta, além disso, é preciso ter estratégias para, juntamente com o cliente, estabelecer as metas. Importante estar atento às fases do tratamento, pois elas podem requerer modelos e abordagens distintas. Enfim, expertise para alinhar metas terapêuticas, técnicas apropriadas, expectativas do cliente e o resultado almejado.
ABRATO-SC - Quais as queixas mais comuns dos clientes que procuram sua clínica?
Dra. Vera - Grande parte dos clientes, buscam nossos serviços especializados na reabilitação do membros superiores, através encaminhamento médico, sites de buscas e clientes atendidos anteriormente em nossa clínica. Nossa maior demanda é a reabilitação no pós operatório imediato, em diversas patologias do membro superior como deformidade congênita da mão, lesão do plexo braquial, fraturas, lesão por esforço repetitivo (LER), tenossinovite e outras disfunções do membro superior; além da confecção de órteses .
ABRATO-SC - Depois de tanto tempo atuando nesta área, você certamente adquiriu muita experiência. Ainda existem desafios na área de reabilitação do membro superior?
Dra. Vera - O grande filósofo Sócrates escreveu "Só sei que nada sei". O fato de vivenciar isso, me impulsiona a ter uma vida de dedicação e estudos constantes na área da reabilitação da mão. Gosto de citar o homúnculo de Penfield e destacar a importância da representatividade da mão sensitiva e motora neste esquema. E para que a mão adquira suas funções motoras e sensoriais gosto de ensinar aos nossos clientes o uso de técnicas específicas na reabilitação da mão de forma precoce. Utilizo técnicas como imagem motora graduada, terapia do espelho, reeducação sensorial, reeducação motora, órteses e suas infinidades de propostas associadas a outras técnicas, ou isoladas, para o cliente adquirir ou reaprender suas habilidades manuais. Por isso, reforço a importância e a valorização dos estudos dos profissionais atuantes nesta área. E ainda destaco sobre a prescrição e confecção de órteses, a necessidade de adoção de padrões para escolha adequada ao caso e refletir sobre qual o melhor material, avaliação da complexidade, espessura, durabilidade, plasticidade, memória, acabamento e finalidade.
ABRATO-SC – Certamente essas dicas são valiosas para todos nós. Para encerrarmos, você teria sugestões de literatura para estudantes ou recém formados quem desejam ingressar nesta área?
Dra. Vera - Existem vários livros interessantíssimos, dentre eles, para começar, sugiro o " Terapia ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas Terapia Ocupacional " . A Rosemary Hagedorn, em 2003, publicou "Fundamentos Para A Prática Em Terapia Ocupacional", eu diria que é um dos clássicos; assim como o artigo da "American Occupational Therapy Association AOTA - Estrutura da Prática da TO" de 2015. Também é interessante a leitura de "A Terapia Ocupacional no Brasil na Perspectiva Sociológica", do nosso colega brasileiro Derivan Brito da Silva, publicado em 2017 e o livro de cabeceira "Rehabilitation Of Hand & Upper Extremty", de Terri M Skirven, lançado em 2020. Acredito que estes possibilitam uma visão inicial instigante sobre a Terapia Ocupacional na reabilitação do membro superior.
Dra. Vera Lúcia Mendes Lehm
Terapeuta Ocupacional, graduada em 2007 pela Faculdade Guilherme Guimbala (Joinville, SC) e Pós Graduada em Reabilitação Neurológica (2008 ), Reabilitação dos Membros Superiores e Terapia da Mão (2010). Docente no curso de Pós Graduação em Terapia da Mão na Faculdade Finama (Belém do Pará). Atualmente, além da atuação clínica em Joinville, ministra cursos livres nas temáticas de avaliação funcional da mão e reabilitação em nervos periféricos por todo o país. Para saber mais sobre a Dra. Vera, acompanhe as redes sociais @clinicaveralehm, entre em contato [email protected] ou acesse o site Clínica Vera Lehm .
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